Refere-se ao conjunto de micro-organismos (bactérias, vírus, fungos e archaea) que
habitam o trato gastrointestinal humano – o sistema de órgãos que transporta os alimentos
da boca ao ânus, digerindo-os, absorvendo nutrientes e excretando resíduos.
● Estima-se que existam 100 trilhões de micro-organismos no intestino, superando
em número as células humanas.
● A microbiota intestinal é única em cada indivíduo, moldada por fatores como
genética, tipo de parto, estresse, dieta, idade, uso de antibióticos, estilo de
vida e ambiente.
● Esses microrganismos participam de funções essenciais: digestão de fibras, síntese
de vitaminas (K, B12), produção de ácidos graxos de cadeia curta (como o butirato),
regulação do sistema imunológico e proteção contra patógenos.
Também existe o microbioma, que é o conjunto de genes, proteínas e metabólitos
produzidos pela microbiota.
● microbiota = os micro-organismos
● microbioma = sua informação genética e metabólica.
Enquanto a microbiota é quem vive no intestino, o microbioma reflete o que eles são
capazes de fazer (ex.: produzir substâncias anti-inflamatórias, metabolizar medicamentos,
influenciar hormônios).
👉 Exemplo prático: duas pessoas podem ter microbiotas diferentes, mas seus
microbiomas podem desempenhar funções semelhantes, dependendo das atividades
metabólicas dos microrganismos.
Uma microbiota saudável favorece a digestão eficiente, a imunidade equilibrada e a
prevenção de doenças.
Definimos Eubiose o estado de equilíbrio saudável da microbiota intestinal,
caracterizado por:
● Alta diversidade de espécies;
● Predomínio de bactérias benéficas (como Faecalibacterium prausnitzii, Akkermansia
muciniphila, Bifidobacterium e Lactobacillus);
● Produção adequada de compostos benéficos (como SCFAs);
● Barreira intestinal íntegra e sistema imunológico regulado.
Já o estado de desequilíbrio da microbiota intestinal, definido como Disbiose, é
associado com inflamação crônica de baixo grau e vária doenças, também caracterizado
por:
● Redução da diversidade microbiana;
● Crescimento excessivo de bactérias potencialmente nocivas (ex.: Escherichia coli
patogênica, Clostridium difficile);
● Produção de metabólitos tóxicos ou inflamatórios;
● Maior permeabilidade intestinal (“intestino permeável”), permitindo a translocação de
bactérias ou endotoxinas para a corrente sanguínea.
Assim temos que a saúde do intestino depende do equilíbrio entre microbiota,
microbioma e seu ambiente. Intervenções nutricionais estratégicas e individualizadas como,
uso de probióticos, prebióticos, simbióticos e mudanças no estilo de vida ajudam a
promover a modulação intestinal e restaurar a eubiose.
Resumo de forma simples:
● Microbiota intestinal = “os moradores do intestino” (micro-organismos).
● Microbioma = “o que esses moradores fazem” (genes, enzimas e funções).
● Eubiose = quando esses moradores vivem em equilíbrio, colaborando para nossa
saúde.
● Disbiose = quando há um desequilíbrio, favorecendo inflamações e doenças.